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Palavras de Pedro Vaz Pereira |
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Em Junho de 2004 a Federação Portuguesa de Filatelia completa 50 anos. Tenho a felicidade de ter começado a trabalhar na Federação Portuguesa de Filatelia em 1982, pelo que tenho quase metade da idade da Federação e uma memória enorme. Comecei a trabalhar na Federação já na sua nova sede, que tinha sido inaugurada há escassos dois anos. Antes disto a Federação Portuguesa de Filatelia funcionava numa divisão emprestada pelo Clube Filatélico de Portugal. Quando cheguei à Federação como 2º Secretário, encontrei-a organizada e bem estruturada nos seus serviços administrativos, mas carente de alguma profissionalização. O amadorismo contrastava com uma necessidade absoluta de uma forte estruturação no sentido profissional de organizar uma instituição que se queria forte e responsável e acima de tudo pronta para os grandes desafios nacionais e internacionais que se impunham. Era preciso numa palavra inovar, já que com a nova sede tinham sido criadas as condições para que tal acontecesse. Nestes 50 anos a Federação Portuguesa de Filatelia estruturou-se, organizou-se e quase que se profissionalizou, ao ponto de sermos hoje e eu conheço bem a realidade europeia e mundial, uma das melhores federações nacionais do mundo. Em termos financeiros ainda não conseguimos atingir a nossa emancipação e independência, algo que me preocupa seriamente e muito mais se pensarmos que com a privatização dos correios em 2007 poderemos ter que começar tudo de novo. Durante estes 50 anos a Federação Portuguesa de Filatelia organizou três grandes exposições internacionais e um Salão Filatélico Internacional. Em 1953, nas comemorações dos 100 anos do Selo Postal Português foi levada a efeito uma exposição internacional, entenda-se mundial, durante a qual e pela única vez no nosso país foi realizado o Congresso da Federação Internacional de Filatelia. Seguiram-se as exposições PORTUGAL-98 e LUBRAPEX-03 que comemoravam respectivamente a descoberta do caminho marítimo para a Índia e os 150 anos da emissão do primeiro selo postal português. Pelo meio realizou-se em 1986 o Salão Internacional de Filatelia EUROPEX que se destinava a comemorar a nossa entrada para o mercado comum. Mas a acção da Federação Portuguesa de Filatelia não ficou por aqui tendo patrocinado e colaborado em centenas de eventos filatélicos competitivos e não competitivos. Para além disto coube-lhe ainda a estruturação de toda a actividade filatélica através da organização de seminários, da elaboração de regulamentos, da constituição de quadros de jurados, da regulamentação da actividade dos comissários, da representação do nosso país a nível internacional, da organização de feiras filatélicas e leilões, de alguns programas para a juventude, do apoio à literatura filatélica, da organização dos filatelistas através do Cartão de Filatelista e do Passaporte Filatélico e das relações com os nossos parceiros, onde se destacam os Correios de Portugal, Comerciantes e Autarquias. Dito em poucas palavras e linhas foi muito o que a Federação Portuguesa de Filatelia fez em 50 anos, se atendermos ao facto de os seus dirigentes serem puros amadores, mas que muitas vezes são tratados e considerados como autênticos profissionais. Mas o “calcanhar de Aquiles” da Federação Portuguesa de Filatelia foi e continuará a ser a juventude. Não existe em Portugal uma pré disposição das autoridades para financiarem um programa para a juventude e não existe por parte dos clubes meios humanos com tempo e vontade para fazerem um trabalho com sequência. Outros há que falaram muito sobre juventude e que quando apoiados falham rotundamente e muitas vezes gastam os apoios em outras actividades, que não a juventude. A Juventude em Portugal vive de algumas poucas boas vontades, que vão fazendo o que podem. A nível competitivo a juventude em Portugal é uma miragem no oceano, onde a excepção não faz a regra e onde o grande prémio ganho por um jovem português em Salamanca na Mundial Juvenil, só demonstra o quanto é fundamental o trabalho sequencial que devia ser feito nas escolas. A filatelia juvenil em Portugal é um problema adiado, não porque não se conheça o remédio para ele, mas porque não há vontade politica e humana para o resolver. Que venha o primeiro dizer-me que tem a solução para ele e ter-me-á como um seguidor e firme apoiante. Contudo Portugal ocupa um lugar de grande prestígio na ranking da Federação Internacional de Filatelia, com 40 colecções FIP, ao nível de muitos países europeus e dos outros continentes e muitas vezes acima de outras grandes nações do nosso planeta. Isto quer dizer que estamos mal na juventude, mas estamos muito bem no resto. Pela Federação Portuguesa de Filatelia passaram muitas direcções, umas fizeram mais e melhor do que outras, mas a todas tenho que deixar o meu sincero reconhecimento por terem dado algo a esta casa e terem com o seu trabalho contribuído para que a filatelia portuguesa seja hoje reconhecida internacionalmente como uma das melhores. Aos clubes federados e aos filatelistas, razão da existência desta casa, quero expressar-lhes o meu grande agradecimento pelo que fizeram e farão na filatelia portuguesa e dizer-lhes, do fundo do coração, que a actividade que as minhas direcções sempre desenvolveram tiveram como único objectivo a organização, a promoção e a regulamentação de toda a filatelia nacional, em prol dessas Agremiações Federadas. Só assim entendo a filatelia que esta Federação desenvolve. Aos clubes e aos filatelistas a minha sentida homenagem e agradecimento pelo empenho e dedicação que deram à filatelia portuguesa nestes últimos 50 anos. Mas nesta hora não posso deixar de me lembrar dos Correios de Portugal, nosso velho parceiro nestas andanças. Sem eles a filatelia em Portugal jamais teria atingido o desenvolvimento que tem hoje, por isso devemos todos estar-lhes gratos e reconhecidos pelo apoio e devemos expressar-lhes o nosso profundo reconhecimento. Os comerciantes desempenharam na nossa filatelia um papel importantíssimo papel, fazendo um trabalho de apoio à filatelia nacional deveras gratificante e que merece da nossa parte o nosso sincero agradecimento. Estamos em tempo de paz, onde todos conhecem as regras filatélicas que têm que existir e serem respeitadas, numa sociedade filatélica que se quer disciplinada, organizada e coesa e democrática. A Federação Portuguesa de Filatelia vai celebrar os seus 50 anos e aqui quero deixar a minha homenagem aqueles que já partiram, que nos deixaram a saudade como vil palavra, mas deixaram o seu testemunho, o seu exemplo o seu carinho pela nossa filatelia. Nesta hora serão também lembrados. Daqui a 50 anos poucos de nós cá estaremos para contarmos aos filatelistas vindouros como foi 2004 e os 50 anos da Federação Portuguesa de Filatelia. Temos pois, a obrigação direi mesmo a grande responsabilidade de continuarmos a pugnar pela nossa filatelia, para que a herança que deixarmos aos nossos descendentes seja a de uma filatelia ainda mais capaz, melhor organizada e em que os filatelistas do futuro sintam que vale a pena abraçar com paixão este hobby, esta vontade de se ser dirigente filatélico para e pelos outros. Daqui a 50 anos seremos o que nós todos quisermos e formos capazes de ser. Acredito que seremos melhores e assim o desejo sinceramente. Pela Federação e sempre pela Federação Portuguesa de Filatelia.
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